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sábado, 29 de dezembro de 2007

Ser feliz

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não me esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se no autor da sua própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A boca...

A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.
Levar-te à boca,
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?

Eugénio de Andrade

Lhasa

Lhasa Muito bom!!!
Uma agradável surpresa!!!
Aconselho vivamente a experimentarem!

Lhasa é uma eterna viajante, mas tem residência fixa em Montreal (Canadá). Nasceu entre os Estados Unidos e o México, em trânsito.
Em 97, depois de cinco anos a tocar na América em bares com o homem que viria a descobrir o seu talento vocal, Yves Desrosiers, edita “La llorona” e o que se sucede – reconhecimento internacional e extensa tournée – deixa-a a de rastos, refugiando-se em França.

Estada dividida entre a vida errante do Circo com as suas irmãs, na companhia Cirque du Soleil, e a paz de Marselha onde foi gravando, durante três anos, “The Living Road”. Lançado no Canadá em 2003 (chegando à Europa só em 2004), o segundo álbum de Lhasa de Sela extravasa toda a imagem de sacerdotisa mítica mexicana que encanta e atraiçoa os homens. Uma obra que expõe a carne, o osso e a alma, de quem não se contenta a revelar a sua intimidade apenas na língua castelhana. Podemos torcer o nariz ao início, mas cedo compreendemos a sua essência e aceitamos que ela nos cante em francês, inglês, árabe, ou mesmo, português, apesar de não dominar ainda estes dois últimos idiomas.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

E é mesmo assim...

'se eu pudesse trincar a terra toda, e sentir-lhe um paladar,
seria mais feliz um momento..
mas eu nem sempre quero ser feliz,
é preciso ser de vez em quando infeliz,
para se poder ser natural porque nem tudo são dias de sol, e,
a chuva, quando falta muito, pede-se
por isso tomo a infelicidade com a felicidade,
naturalmente,
como quem não estranha que haja montanhas e planícies,
e que haja rochedos e erva
o que é preciso é ser-se natural e calmo,
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica
assim é e assim seja ...'

Alberto Caeiro in O Guardador de Rebanhos

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

....

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Gosto...

e aplaudo de pé...:
- quando aprecio um magnífico 'dedilhado' numa guitarra (de preferência portuguesa);
- a verdadeira arte de representar;
- quando uma voz potente e afinada me eleva a alma;
- o som de acordeão à boa moda da música parisiense; (isto agora dava 'pano para mangas') Adoro Yann Tiersen.
....

Agradeço e sensibilizo-me quando alguém tem o verdadeiro dom de me encantar com a sua arte!!! ...
Cada vez sou mais sedenta de orgasmos culturais!!!

Fazem-me sentir viva e emocionam-me!!!